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A Saúde Mental do Trabalhador em Foco

Sua empresa se preocupa com a saúde dos seus trabalhadores, responsáveis por fazer seus produtos ou prestação de serviços de ótima qualidade? O que ela faz para informar e discutir com o trabalhador as causas do seu adoecimento ou mesmo como preservar sua saúde? O que os dados epidemiológicos do setor de medicina ocupacional traduzem desse público? A quais situações de riscos eles vêm sendo submetidos? Que agravos à sua saúde são ocasionados pelo trabalho que realizam?

Sabemos que o trabalho é considerado um fator relevante para o aumento dos distúrbios psíquicos, mas obviamente sua incidência dependerá da singularidade de cada indivíduo. Ocorre que muitas vezes de forma “silenciosa” um processo de sofrimento psíquico começa a se instalar, podendo impactar de forma aguda o comportamento. Estar atento a esses sinais pode contribuir para que uma intervenção precoce seja feita, evitando assim que o quadro se agrave ainda mais. Vale lembrar que o emocional compromete a saúde física, é o que chamamos de psicossomatizações, diagnosticadas clinicamente.

Alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento desses quadros psíquicos são as condições e a organização do trabalho. Portanto, integrar ações de promoção de saúde em consonância com os processos de trabalho podem ajudar a prevenir muitos casos. A partir desse olhar é que se poderá construir ambientes mais saudáveis. Dimensionar os agravos, relacionando-os às causas, será fundamental para que se desenvolva um programa preventivo.

Segundo dados da ANANT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), os transtornos mentais são a 3ª causa de doença no Brasil com afastamento do trabalho, ficando o indivíduo uma média de mais de 100 dias longe de suas funções. Embora os números sejam alarmantes, presume-se que são ainda maiores devido à subnotificação, já que muitas pessoas não procuram por serviços especializados, o que pode agravar ainda mais os quadros ao longo do tempo.

Diante desse cenário, o que faz com que muitas empresas não invistam nesse cuidado, uma vez que interfere tanto em sua produtividade? Será que as lideranças estão preparadas para se comprometer com as questões das mazelas humanas para além dos indicadores estabelecidos?

Temos que considerar todos os preconceitos que ainda rondam esse tema e que impactam diretamente nas escolhas pelo próprio cuidado. É o trabalhador que constrói a história das grandes empresas. E a forma como esses profissionais veem o mundo vai refletir diretamente nas relações humanas que se estabelecem.

Estamos todos vulneráveis ao adoecimento, em maior ou menor grau, dependendo das circunstâncias e predisposição. E então, se for com você, como quer ser tratado?

Afinal, vale sempre lembrar, quais são mesmo os valores da sua empresa?

(Lilian Tavares - Psicóloga)